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  • Dr Fernando Valério

A moda da dieta sem glúten...

Há muitos anos, muitas pessoas optaram pela dieta sem glúten. Apesar de muito questionamento a respeito disso, pessoas sem desordens relacionadas ao glúten passaram a acreditar que seriam mais saudáveis por não comerem glúten. Isso foi estimulado por literatura cotidiana, mídia e redes sociais. O importante é que no meio deste processo comportamental, passou-se a ouvir mais sobre a doença celíaca, uma doença séria, autoimune, genética e que compromete diversos órgãos e sistemas.


No entanto, também houve uma mistura de informações sobre doença e moda alimentar, o que trouxe muita banalização e preconceito a respeito da doença celíaca. Infelizmente, estes sentimentos atingiram a classe médica, o que desestimulou o aprofundamento sobre a doença celíaca.


Como podemos agir de forma proativa para ajudar nesta questão?


A única maneira de mostrar a profissionais e à sociedade o quão relevante é a doença celíaca, seja na enormidade de sintomas ou nas consequências, é educar. Só que este é um processo longo e demorado. Lutamos para o aumento de diagnóstico da doença, já que somente 15% dos celíacos sabem que têm a doença. Mas, será que temos profissionais treinados para acompanhar estes pacientes? Esta é uma reflexão necessária!


Primeiramente, sociedades médicas e faculdades de Medicina precisam ensinar e falar mais sobre a doença. Neste ano, a Federação Brasileira de Gastroenterologia participou do mês Maio Verde com um evento público, e ofereceu aulas sobre a doença celíaca em seu curso continuado e anual de Gastroenterologia. Pessoalmente, participei de evento organizado pela Acelbra-MG, na tentativa de educarmos médicos do SUS no município de Mariana (MG) sobre o diagnóstico e acompanhamento da doença celíaca. Outros especialistas participaram e promoveram "lives" em suas redes sociais. São pequenos passos perto da imensidão do que precisamos atingir, mas são passos para frente!


Mas, um ponto é importante! Esta é uma doença difícil, com curva de aprendizado longa, com detalhes numerosos e muitas "armadilhas". Isso traz alguns erros para profissionais que estão começando a conviver com pacientes celíacos. Por isso, tanto nós, os especialistas, quanto a comunidade celíaca, precisamos ser generosos e pacientes com estes profissionais. Todos cometemos "gafes" quando começamos a estudar esta doença. Muito mais do que críticas vorazes, devemos cuidar e estimular para que esses profissionais continuem estudando e se aprimorando. Só assim, teremos médicos com boa formação para agirem no SUS, na saúde suplementar (convênios) e privada.


No momento atual, temos poucos especialistas na doença, agendas de consultas sobrecarregadas e falta de oportunidade para que muitos pacientes façam acompanhamento médico adequado.




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