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A moda da dieta sem glĂșten...

  • Dr Fernando ValĂ©rio
  • 30 de jun. de 2023
  • 2 min de leitura

Atualizado: 27 de mai. de 2024

HĂĄ muitos anos, muitas pessoas optaram pela dieta sem glĂșten. Apesar de muito questionamento a respeito disso, pessoas sem desordens relacionadas ao glĂșten passaram a acreditar que seriam mais saudĂĄveis por nĂŁo comerem glĂșten. Isso foi estimulado por literatura cotidiana, mĂ­dia e redes sociais. O importante Ă© que no meio deste processo comportamental, passou-se a ouvir mais sobre a doença celĂ­aca, uma doença sĂ©ria, autoimune, genĂ©tica e que compromete diversos ĂłrgĂŁos e sistemas.


No entanto, também houve uma mistura de informaçÔes sobre doença e moda alimentar, o que trouxe muita banalização e preconceito a respeito da doença celíaca. Infelizmente, estes sentimentos atingiram a classe médica, o que desestimulou o aprofundamento sobre a doença celíaca.


Como podemos agir de forma proativa para ajudar nesta questĂŁo?


A Ășnica maneira de mostrar a profissionais e Ă  sociedade o quĂŁo relevante Ă© a doença celĂ­aca, seja na enormidade de sintomas ou nas consequĂȘncias, Ă© educar. SĂł que este Ă© um processo longo e demorado. Lutamos para o aumento de diagnĂłstico da doença, jĂĄ que somente 15% dos celĂ­acos sabem que tĂȘm a doença. Mas, serĂĄ que temos profissionais treinados para acompanhar estes pacientes? Esta Ă© uma reflexĂŁo necessĂĄria!


Primeiramente, sociedades mĂ©dicas e faculdades de Medicina precisam ensinar e falar mais sobre a doença. Neste ano, a Federação Brasileira de Gastroenterologia participou do mĂȘs Maio Verde com um evento pĂșblico, e ofereceu aulas sobre a doença celĂ­aca em seu curso continuado e anual de Gastroenterologia. Pessoalmente, participei de evento organizado pela Acelbra-MG, na tentativa de educarmos mĂ©dicos do SUS no municĂ­pio de Mariana (MG) sobre o diagnĂłstico e acompanhamento da doença celĂ­aca. Outros especialistas participaram e promoveram "lives" em suas redes sociais. SĂŁo pequenos passos perto da imensidĂŁo do que precisamos atingir, mas sĂŁo passos para frente!


Mas, um ponto Ă© importante! Esta Ă© uma doença difĂ­cil, com curva de aprendizado longa, com detalhes numerosos e muitas "armadilhas". Isso traz alguns erros para profissionais que estĂŁo começando a conviver com pacientes celĂ­acos. Por isso, tanto nĂłs, os especialistas, quanto a comunidade celĂ­aca, precisamos ser generosos e pacientes com estes profissionais. Todos cometemos "gafes" quando começamos a estudar esta doença. Muito mais do que crĂ­ticas vorazes, devemos cuidar e estimular para que esses profissionais continuem estudando e se aprimorando. SĂł assim, teremos mĂ©dicos com boa formação para agirem no SUS, na saĂșde suplementar (convĂȘnios) e privada.


No momento atual, temos poucos especialistas na doença, agendas de consultas sobrecarregadas e falta de oportunidade para que muitos pacientes façam acompanhamento médico adequado.




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