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Manifestações Orais da Doença Celíaca

A Doença Celíaca (DC) apresenta algumas manifestações bucais que podem levar o Cirurgião-Dentista a suspeitar da doença e contribuir com o diagnóstico.


Camila Heitor, Consultora da Fenacelbra (Federação Nacional das Associações de Celíacos) na área de Odontologia, informa:

"as principais manifestações são a presença de defeitos de esmalte, atraso na erupção dos dentes e aftas recorrentes. Outras manifestações menos comuns são o líquen plano oral, herpes de repetição e glossite atrófica".

De acordo com Alessandra Pereira de Andrade, Cirurgiã-Dentista e professora da APCD-IESP, os defeitos de esmalte mais frequentemente encontrados na DC são a hipoplasia e hipomineralização de esmalte, provavelmente secundários a deficiências nutricionais e distúrbios do sistema imunológico durante o período de formação do esmalte:


"Dentre as alterações relatadas na literatura, a hipoplasia do esmalte dental é o achado clínico mais frequentemente encontrado na forma clínica silenciosa, sendo possivelmente a única manifestação da doença em crianças e adolescentes celíacos não tratados".

A hipoplasia do esmalte é uma formação incompleta ou deficiente da matriz orgânica do esmalte. Clinicamente, apresenta-se como manchas esbranquiçadas, rugosas, sulcos ou ranhuras, bem como, outras alterações na estrutura do esmalte, comprometendo a estética do sorriso.


Estas lesões são assintomáticas e só serão submetidas a algum tipo de intervenção por motivos estéticos. Estes defeitos são mais comumente encontrados na dentição permanente e tendem a aparecer de forma simétrica em todos os quatro quadrantes, geralmente em incisivos e malares.


São comuns em crianças que desenvolvam sintomas de doença celíaca antes dos sete anos idade, entretanto, a presença de defeitos no esmalte dentário pode ser o único sintoma encontrado em algumas crianças, sendo, portanto, uma ferramenta de rastreio.


Camila Heitor ressalva que:

"O retardo na erupção dentária é um sinal não específico, mas tem sido relatado em até 27% dos pacientes com DC, possivelmente relacionado à desnutrição causada pela doença".

Jornal APCD Por Fernanda Carvalho